a maior parte do meu tempo eu não passo desenhando tela, assim como não passava a maior parte do tempo escrevendo quando era content designer. comecei pelas palavras, fui parar nas interfaces e, no caminho, entendi que nenhuma das duas se sustenta sozinha.
uma boa experiência passa por conhecer com profundidade a dor de quem usa, a necessidade de quem vende, os desafios de quem desenvolve e as limitações técnicas no meio do caminho. isso demanda tempo, maturidade e jogo de cintura. e é aí que eu gosto de estar:
- 01mergulhar em um discovery
- 02investigar dores com dados e pesquisa
- 03resolver com os devs os detalhes técnicos que mudam a experiência
- 04negociar com outros times quando os produtos se entrelaçam
- 05entender com o negócio o que a feature precisa entregar
- 06e provocar todo mundo a perguntar se aquilo resolve de verdade algum problema
interface, arquitetura de informação e usabilidade são peças fundamentais. mas, pra mim, elas são o resultado do processo, e é no processo que está a qualidade do produto.
no will bank, descobrimos que estávamos punindo bons clientes: quem estava em dia e previa um aperto não tinha como renegociar. precisava atrasar, sujar o nome e esperar a cobrança. um fake door mostrou que essa demanda era real, e o resultado virou o ajuste de empréstimo:
- 406 contratos
- +R$ 500 mil gerados
- 5 meses
enfim…processo.
e a IA nisso tudo?_
uso, e uso bastante. no ajuste de empréstimo, ela me ajudou a clusterizar as respostas da survey, refinar a análise dos dados, criar um novo componente e prototipar a primeira versão do fluxo. trabalho operacional que antes levaria dias saiu em horas, e esse tempo voltou para onde ele faz diferença: conversar com o time, questionar premissas, testar caminhos.
mas a IA é parte do processo, não o todo. eu não acredito nessa ideia de que “foi a IA que fez”. fui eu que fiz, com a ajuda de alguma IA. não terceirizo essa responsabilidade e não abro mão de pensar: decidir começar por esticar o prazo em vez do troco, trocar “renegociar” por “ajustar”. cada vez que a gente deixa a IA pensar no nosso lugar, perde um pouco da capacidade de crescer, de criar conexões com as próprias experiências, perde o que nos torna únicos e passa a repetir padrões simplórios. e eu tenho personalidade demais pra deixar isso acontecer comigo.
ela entrega telas lindas e pixel perfect. o molho continua com quem entende o produto em profundidade.
thais castro · product designer